Na hora do almoço

segunda-feira, 19 de maio de 2014



Deu vontade de te ligar na hora do almoço. Confesso. Só pra matar um pouquinho da saudade do costume que tenho de falar com você em todo e qualquer intervalo do meu dia. Não liguei. Mas aquele pontinho de esperança que ainda existe dentro de mim ficou esperando que você ligasse só pra dizer que me ama. Você não ligou, mas eu fiquei esperando até o último minutinho. Fiquei porque apesar de saber que já não temos mais tantas coisas boas para dizer um ao outro, o jeito como você respira alto, perto demais do fone, me bastaria. 13:13 no relógio e você não apareceu, e eu também acabei não ligando. Mas só não o fiz porque estou tentando me acostumar com a sua falta, e eu prometi a mim mesma que não iria ligar brigando (mais uma vez) por você permitir, tão facilmente, que isso aconteça. Você me disse (com esse seu jeitinho que me convence sempre) que era ‘‘Melhor parar e tentar se lembrar das coisas boas que tínhamos e não se destruir e se machucar ainda mais’’. E eu, por fim, e depois de vários ‘‘fins’’, aceitei. Entretanto, os espaços vazios e silenciosos do meu dia ainda gritam, sem entender, por que não somos mais capazes de criar novas lembranças boas e felizes. A gente se gosta! Eu sei e você também sabe! Mas as brigas tomaram o lugar da paz, os sorrisos perderam lugar para o choro, a mágoa transcendeu o prazer, e as cicatrizes começaram a ficar grandes demais para se curarem sozinhas. E eu expliquei isso tantas vezes para esses mesmos vazios e silêncios que acabei convencendo a mim mesma. Seria engraçado, se não fosse triste, como eu sempre procurei um amor que eu amasse sem razão, e eu encontrei! Eu te amei sem razão alguma, até porque somos opostos que se atraem como imãs, mas agora aqui estou eu, enumerando, singelamente, os motivos pelos quais nós não damos mais certo. O nosso quebra cabeça não se encaixa mais como antigamente, e o mais triste não é nem o ‘‘Não se encaixar’’, mas sim perceber que nós já nos acostumamos com o não encaixe. Mais triste do que o fim, só mesmo aquele momento em que o a ficha cai. A ficha caiu e eu olhei para o fone, confusa e incrédula, ainda com aquela cara de que ‘‘Eu não queria que tivesse caído logo agora’’. Tu Tu Tu Tu, e a nossa ligação ficou assim, por um fio, finalizada. A gente se ama, é fato, e ainda me encanta como a sua risada estranha soa deliciosa, e eu vou sentir falta do jeito único e perfeito como o seu pé se esfrega no meu para que possamos pegar no sono. E de toda a saudade que ficará aqui dentro do meu peito, eu acho que nunca vou conseguir definir o que será mais latente: Não presenciar o modo como o sol reflete tão lindo sobre o seu cabelo, ou não poder sentir na pele como o seu corpo pequeno e compacto foi moldado para o meu grande e desengonçado. Sobre a nossa família planejada com duas crianças e um cachorro eu nem falo nada. Essa sensação de perda e luto ultrapassa qualquer palavra ou sentimento. O ''X'' da questão é que a gente se quer, mas não se bate. Até se quer mais perto, mas se repele. Quer beijos, mas vive de tapas. Ama, mas não confia no amor do outro. Quer a paz que só existe em nossos abraços, mas já não consegue mais proporcionar sossego. Queremos que juntos sejamos um laço, mas na pratica tudo se tornou um nó. A mesma mão que acaricia, dá um soco. Queremos ficar juntos pra sempre, mas não conseguimos mais nos manter. Os nossos momentos bons são ótimos e durante eles eu tenho a mais plena certeza de que ficaremos juntos para sempre! Mas daí então vem as brigas, e outra, e mais uma, e eu tenho a sensação de que não posso aguentar mais aquilo nem por um segundo. A balança que deveria estar no positivo, acabou ficando no vermelho. E que pena... Fomos vencidos! Não pela distância, o nosso pior inimigo, mas pelas brigas que se transformaram em desencanto. Eu tento e remendo as páginas rasgadas pela sua borracha, e trabalho, incessantemente, na vontade de que esse calculo dê certo. Mas o meu lápis quebrado de tanto ser apontado não consegue mais encontrar espaços não rasurados, onde possa caber um pouco mais da nossa história. Depois de toda essa matemática insana e descompassada, podemos até dizer que fomos maus administradores e que não soubemos como alavancar o nosso negócio, mas ninguém nunca poderá dizer que faltou amor, paixão e entusiasmo. E ainda não falta! Mas, aparentemente, não tem jeito! Tudo bem... A gente já não se soma mais, mas só nós sabemos como a gente se completa. E passando da matemática para a poesia, a minha consciência também sabe que hoje nós não somos nem metade do que já fomos, pra ser mais exata, nesse momento nós não somos nada! Mas o meu coração tenho toda essa certeza de que a gente ainda se transborda. 

Arrependimento mata

terça-feira, 29 de abril de 2014


Adoro ser aquariana. Principalmente gosto de ser impulsiva e rebelde! Mal vivi duas décadas e já acho que perdi tempo demais nessa vida por acreditar que podia deixar algo para depois, ou por falta de coragem! Agora o sistema é esse: Se eu quero busco por soluções, por mais mirabolantes que sejam. Se você não quer, vai me encher de desculpas, das mais variadas, tão malucas e sem sentido quando as minhas ''loucas'' alternativas! Pode me achar pirada, lunática, o que for! Pensa só: Quem te garantiu que o amanhã vai chegar? Quem te deu a certeza absoluta de que você vai acordar semana que vem, inteirinha, como você está agora? Que você não estará sem um pedaço na segunda ou que não perderá algo insubstituível na sexta? Eu aprendi, ou melhor, a vida me ensinou de forma amarga e dura (o suficiente para eu não querer pagar de novo o preço para ver) que o minuto seguinte é incerto! Que a maioria das oportunidades que deixei passar, por acreditar que tudo seria constante em minha vida, eu perdi. Perdi vários pores-do-sol, simplesmente porque acreditei que eu teria todos os dias, ou uma vida inteira, para assisti-lo. Mas o que a gente precisa entender é que até o pôr-do-sol hoje vai ser diferente do de amanhã! Eu entendi isso, mas só depois de perder muitos espetáculos, muitas pessoas, muitos sorrisos e muitas histórias. Pelo simples fato de me controlar demais, pensar demais e arriscar de menos. Os momentos são únicos, oportunidades são raras, por mais simples e bobos que pareçam. E dizem as más línguas que arrependimento mata!

desconfortável desconhecido




Acho que é hora de aceitar o fim. Parar um tempo, refletir, me reencontrar, colocar a cabeça no lugar e seguir em frente. É tempo de fechar o ciclo, porque a vida é cheia deles, mas o fim não deve significar nada além de: ''Aí vem um novo começo!''. Seguir pelo desconhecido é desconfortável, deixa a gente com a boca seca e com o olhar perdido. Dá vontade de continuar na mesma estrada e no mesmo circulo, só porque até as tribulações, por mais dolorosas que sejam, se tornam os mesmos problemas conhecidos. Mas a vida é engraçada, ao mesmo tempo em que é dolorosa, e quando você se recusa a finalizar o que já está acabado, ela encontra um jeito de te jogar para fora do confortável. Eu decidi que não quero mais brigar com a vida. Não quero mais bater de frente e bancar a menina chorona-mimada insistindo em coisas quebradas, ou em momentos que se foram e sentimentos que não voltam. Eu vou seguir o rumo dela, aceitar o fim, os espaços e os novos começos de braços abertos. E eu vou lutar, até o fim, para fazer o melhor com o pior que ela me der. Pois há dois jeitos de ver a vida: Ou você chora com os problemas e é derrotado por eles, ou você enfrenta cada nova cursa perigosa da vida e cresce com isso! Eu decidi que quero sentir orgulho de mim, cada vez que eu olhar para trás e poder pensar: Eu sofri, lutei, mas venci.

Por onde andam os meus pedaços?



Algo muito importante, mas sem nome específico, está faltando em mim! Está faltando alguma coisa, eu sei, mas em contrapartida, há saudade sobrando. Em excesso. E até quem me vê atravessando a rua, encarando o semáforo pela terceira vez consecutiva, sabe que estou perdida e não consigo me encontrar. Estou dividida em pequenas partes espalhadas por aí. De Minas ao Maranhão. Do Paraná à Santa Catarina. Das Américas à Europa. Da liberdade à comodidade. Do que eu fui e do que sou agora. Do que eu tinha e não tenho mais. Do que eu queria ter, mas por medo ou cansaço, não tive. Não estou completa aqui, mas sei que também não estaria em nenhum outro lugar. O ruim de pertencer a tantos lugares, pessoas e coisas é isso, nunca se está completa. Está sempre faltando alguma coisa. Está faltando algo, eu sei! Meu olhar confuso não engana. E até quem lê esse texto sem sentido sabe. 

Por onde andam os meus pedaços?

Aprendi a amar andando de bicicleta



Estou triste. Triste com as pessoas e triste com a vida. Chateada com essa premissa (esquisita) de que não podemos ter tudo o que queremos. É sorte no jogo ou azar no amor. Sucesso na vida profissional ou na pessoal. Conforto e comodidade ou liberdade. Bem me quer ou mal me quer. Cara ou coroa. Mas eu sou dessas que acredita que é nas dificuldades que a gente mais cresce. É suando que mais se aperfeiçoa. É durante essas escolhas que aprendemos o valor de cada coisa. É chorando que ficamos mais forte e é sendo enganado que nos tornamos mais espertos. É com as decepções que aprendemos a sacudir a poeira, obrigados pela vida a seguir em frente. Decidi tentar. Tentar e lutar! Decidi fazer valer a pena e parar de esperar uma galinha dos outros. E se nada der certo, ou se nada valer a pena, pelo menos valeu a tentativa e valeu a experiência. Ainda estou triste, mas acabei de me lembrar que eu só aprendi a andar de bicicleta depois de cair várias vezes e de ralar a canela.

Fome de lembranças




Estou aqui deitada, está frio, estou com saudade e com fome. Mas nem é tanta fome de comida, até porque a geladeira está abarrotada. Estou com fome de você e esse é um tipo de fome que sanduíche triplo nenhum mata. Arroz e feijão nenhum supre. É uma fome estranha. Estranha porque ela alimenta a minha saudade. Tenho fome de lembranças. Das lembranças que, por estar deitada nessa cama, não estou criando com você. E eu me confundo com esse jogo de ‘‘ Lembrar, criar e imaginar memórias'', e fico perdida entre o que eu, de fato, me lembro e o que minha mente extrapola. 
A gente poderia andar pela calçada de mãos dadas com aquela chuva pesada caindo, mas ainda sim, continuaríamos cheias de risadas. Talvez você alimentasse algumas pombinhas em um dia ensolarado enquanto eu observava de boca aberta como você fica linda vestindo essa camiseta velha com alguns rasgados. De noite enquanto preparássemos o jantar você sorriria para mim orgulhosa, tanto quanto eu, pela minha proeza de ter finalmente conseguido descascar uma batata. E talvez, nesse momento, você se re-apaixonasse por mim e eu por você, esquecendo a briga horrível que tivemos no final da tarde. Você me perguntaria de noite, deitada e de olhos fechados, porque eu não vou dormir em vez de ficar te olhando. E eu te diria ‘‘Querida, você não entenderia. ’’ Mas o meu coração entende. Ele sabe que cada sorriso seu é único. Meus olhos famintos não perderiam isso por nenhum instante, nem por um segundo! Porque talvez no próximo sorriso a curvinha do seu rosto se forme de modo diferente. E eu teria medo. Medo de não me saciar suficientemente de você e acabar morrendo de saudade ou com muita fome. Pois é, mas aqui estou com frio e deitada sozinha. Sem você, sem sanduíche triplo e sem nada para matar o que me consome.
Não faço esse texto na intenção de lhe jogar indiretas, muito menos na intenção de lhe deixar confusa. De confusa já basta eu sem saber distinguir entre o que foi realidade o que eu fantasiei. Talvez essas palavras nem te toquem ou talvez as rimas não estejam perfeitas. Acho que a gramática está totalmente incorreta. Mas não tem problema! Faço esse texto porque necessito que você saiba que penso na gente. Que, na verdade, penso na gente com muita freqüência. Que sonho com você na madruga e fantasio conosco mesmo quando de mim você nem lembra.

Coração de papel

segunda-feira, 31 de março de 2014




Quero um coração de papel, estou de saco cheio desse aqui cheio de músculos e transbordando sentimentos. Se meu coração fosse de papel, toda vez que alguém machucasse ele eu passaria o ferro bem quente em cima e o faria ficar bonitinho novamente. Ia ser lindo. Agora esse aqui dentro do meu peito demora a se curar. Ele é todo machucado e mesmo quando você passa Merthiolate, ainda existe todo um procedimento. A cicatrização é demorada e o processo é lento. Coração bobo, que às vezes aguenta uma tempestade, caladinho, mas chora quando te machucam com aquela gota d´água. Coração de menina que precisa ser cuidada, mas que vive passando batom e caindo do salto alto, só porque quer ser um coração de mulher destemida e determinada. Carne é assim, meu bem. Corta lá aquele pedaço de bife pra você ver se ele volta ao normal na mesma hora. Não volta não! Talvez com o tempo até se regenere, mas dependendo do tamanho do corte, já era! Então não dá pra você ir e vir, morder e depois soprar. Não dá pra você amassar meu coração e depois desamassar, hora que você bem quiser ou bem entender. Decida-se. Porque ele é de carne e músculo, matéria bruta, todo desajeitado, mas que uma vez machucado, sangra e sofre caladinho. Pode trazer o remédio quando o arrependimento bater, não tem problema. Mas ele vai ficar cheio de cicatriz e feridinhas feias, sabia? Pois é, mas parece que o mundo inteiro não sabe. Agora se meu coração fosse de papel, tudo seria mais fácil. Você passaria o ferro nas minhas feridas e as levaria embora. Mas coitadinho, está aqui sozinho, na esperança de um dia encontrar o remédio que o faça ser totalmente curado.

23.02.12
by:Jessy M






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